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[En][Re]torn[e] Ando

Vôo das rodas sobre o asfalto...

Da Cidade concreta e absurda... movimento contido... estática transição

Retorno via bits e bytes ao meu extrato fera....

Ao lado uma doce companhia... à frente um re-encontro ansiado...

Logo mais os limites das linhas paralelas delimitando as possibilidades do olhar...

Doze horas luz de viagem... o que interessa é o que está por vir...

Depois de tudo re encontrar a ternura do mar em teu peito...

Depois de tudo nos re-unir, unir, re-fazer, fazer.

Seguimos, nós dois para os teus braços e...

Para o nosso mundo... Felizes por tê-lo para retornar a ele...

Saudades!

(À bordo do ônibus, de volta pra casa, eu e meu filho Pietro, 21:33h 11/12/2009)



Escrito por Lárimer Daniel às 21h32
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Corre

 

Pára... vem... lá fora se estende a madrugada...

Acalma tua emoção desta luta que não passa...

Fica um pouco mais... dorme... respira...

Aplaca em teu coração essa busca que não cessa...

 

Olha... logo se apagam as estrelas...

E a calma madrugada, nossa amiga,

Se dentro em breve se ascende o novo dia...

Deixará de ser o lar que nos abriga...

 

Aqui agora não precisamos do depois...

Vivamos respiração... cada momento

Façamos de cada gesto uma intenção...

Expulsemos longe esse tormento...

 

Ainda que a luz venha e desperte...

Ainda que a dor latente bata...

Ainda que ferva o sangue, a verve...

Ainda que o amor se encolha e cale...

 

Não sejamos o que nos falta...

Não nos falte o que podemos ser...

Não seja a decepção queda alta...

Só nos fale o que queremos crer...

 

Que, senão, dói demais a jornada...

Senão, não fica a não ser lembrança...

De nós o tudo tornado em nada...

E da vida real... vaga esperança...



Escrito por Lárimer Daniel às 10h57
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Porque passam horas e ventos

 

Porque passam horas e ventos...

Os veleiros brancos da juventude...

A graciosa tormenta que te espera...

Vejo-te agora, tantas mil milhas depois...

De onde o raio e o trovão

Faiscavam sonhos...

E o amanhã... uma brutal sedução...

 

Tudo que parecia redemoinho

Tudo que à vertigem ascendia...

Toda alegria do movimento

Toda delícia da incerteza...

Transmuda-se na letal calmaria...

 

Incontáveis retornos...

Incontáveis esperas...

Os pensamentos em lugar da vida...

Universo paralelo a um milissegundo da existência...

 

Tantas vezes visto passar o veleiro,

Tantas vezes indagado o rumo

Tantas vezes perseguido o prumo

Tantas fugas do estaleiro...

 

Porque passam horas e ventos...

Porque choram vozes e tempos...

Os veleiros rotos da incompletude...

Ao ocaso à majestade,

De gloriosas milhas singradura...

Deixam-se dos portos a procura...

Ancoram-se nas pedras da saudade...



Escrito por Lárimer Daniel às 00h29
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Vento Sul

Surge das águas... ressoa nos tempos...

Ruge acima dos momentos...

Ecoa amplos movimentos...

Mil lamúrias... épicos lamentos...

 

Fundem-se voz e gestos...

Clama desde o ocaso, mar adentro...

Do insondável escuro enseamento...

Traz-as-ilhas, fronte ao barlavento...

 

Ruidosa, interminável alcatéia...

No espaço escuro das noites interiores...

Pontilha luz... ciclópica bateia...

Uivos sem-fim de lobos predadores...

 

Impõe-se sobre tudo... tudo verga...

Castiga costa, convicção e julgamento...

Transpassa o trivial e o monumento...

Espraia-se por tudo e tudo traga...

 

Chuva horizontal, águas sibilantes...

Trovões e ecos abismais...

Fulgor, espectros flamejantes...

Temores... instintos animais...

 

Giro turbilhão, gigante impulso...

Chamado Vento Sul, traço cultural...

Chamam-me hoje, tempo convulso...

Ciclone Extra-Tropical...



Escrito por Lárimer Daniel às 00h33
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Lembrança tardia...

Logo agora que sabíamos que estávamos chegando em algum lugar...

Logo agora que eu sabia tudo que eu tinha que fazer...

Agora que a inspiração me trouxe as respostas que eu não via...

Agora que a luz se insinuava por trás das jenelas fechadas da minha culpa...

Agora que a verdade brilhava por dentro das janelas fachadas dos meus olhos...

Agora que a serenidade acalmava as volúpias dos meus desejos...

Agora que poderíamos andar de mãos dadas pelas areias...

Afinal... por que tem que ser agora? ...



Escrito por Lárimer Daniel às 11h43
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Conversa no escuro...

"Ô pai... fica mais um pouco..."

Vão passando as 23:00h... Tarde para ontem... o amanhã espreita... Tarefas, fazeres, lutas... tudo ali, logo depois da lua alta no céu, em algum céu acima de nossas cabeças...

Como todas as noites ele quer conversar um pouco mais... Deito-me ao seu lado, olhos abertos no escuro... Uma tímida felicidade me aquece... apenas por que minha presença lhe traz algum conforto, tem alguma importância para ele... faz-me companhia do seu iminente adormecer... Mas antes, vamos falar um pouco mais....

Quando ele está inspirado começamos com o Big Bang... "Pai, como pode alguma coisa começar do nada?" Essa é difícil... "Nem Stephen nem Einstein, Pietro... "

De outras vezes é mais prosaico... "Pai, quanto é infinito dividido por infinito?"...

Tratamos de tudo, naquele recanto... no aconchego do seu mundo, rodeados por um redemoinho de brinquedos, roupas, tarefas e material escolar... Preparo sua cama para que se deite entre os gritos da mãe para que escovemos os dentes... Dormimos tarde, falamos baixinho e sempre rimos de alguma bobagem, lembramos algum desenho animado ou filme...

Nos seus onze anos, tudo tão urgente e gratuito ainda... as primeiras emoções próprias, as primeiras leituras originais da vida... as primeiras singelas desilusões...

Constato a solidez do meu amor por ele através da minha completa disponibilidade, da minha prontidão em atendê-lo, da minha compulsão por ser-lhe útil, por resguardá-lo e protegê-lo...

E assim seguimos, pelas noites dos dias cansativos, sempre abraçando-nos ao nos despedir e ele sempre pedindo..."Fica um pouco mais..."

Tenho tanto a fazer... consulto o relógio, o computador, a agenda, o calendário, o almanaque, o dicionário, a enciclopédia, o coração...

"Tá bom, Pi... mas só um pouco... do que vamos falar?"



Escrito por Lárimer Daniel às 02h27
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Saudade Plagiada...

 

As cruzes pela vereda....
Evocam almas e medos...
Almas há muito esquecidas...
Santos, horrores e credos...
E no escurecer do tardar..
 
Sente-se no mar a espreitar...
A clamar, mas que não se escuta...
Uma Fada que lamenta...
Que é mais o desejo de tê-la,
Que tê-la... a boca sangrenta...
 
Pelos vãos a ocultar e a rir...
Temores a nos seduzir...
 
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
 
(Descaradamente plagiado do poema “Horas pela alameda” de Fernando Pessoa...)
 
Eu, Poeta, sou um fingidor...
Finjo tão estupi(en)damente...
Que finjo que é horror...
O orgulho que deveras sinto...
 
(Alguém deveria fazer alguma coisa a meu respeito....)


Escrito por Lárimer Daniel às 01h10
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Encontro na Etern(i)dade

Encontro na Etern(a)idade

 

Foto: Angelita Loturco/Divulgação (www.uol.com.br)

 

E assim, meu amor...

Uma vez mais, reunamo-nos....

Na alegria do silêncio...

No éter luzidio...

Na dança fulgurante imperceptível...

Das almas que talvez tenhamos...

 

E assim, meu amor...

Sejam os corpos que profanam...

Rompendo, imóveis, dimensões e tempos...

Para sempre aqui e não-aqui...

Juntas e sós... como só(s) os que amam...

 

E unidas, meu amor...

Não no clamor da tempestade...

Nem, das trevas, no negror...

Reunamo-nos, sem brilho nem clangor...

Na suave... eternidade...

 

Os corpos mumificados de duas freiras foram descobertos no Mosteiro da Luz, em São Paulo, no dia 26/02/2008.



Escrito por Lárimer Daniel às 08h53
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Susp(eita)ense

 

Espreito o poço,

Vale escuro, fundo...

Fenda negra, sombrosa...

O amor descasca lentamente...

Tôda a fortuna passa,

Tôda sorte sucumbe,

Longo inverno infecundo...

Verga figueira frondosa...

 

Estreito passo,

Espinho negro, profundo,

Ferida vermelha brasosa...

O amor seca tristemente...

Tôda harmonia desaba...

Tôda euforia resume...

Negro deserto inclemente...

Cala garganta saudosa...

 

Estranho traço...

Rasgo punhal violento,

Corta a alma rochosa...

O amor chora longamente...

Tôda paixão enfraquece...

Tôda belêza evapora...

Lisa suspeita escarpada...

Fio da língua maldosa...

 

Final Feliz:

 

Certeza graça...

Turvo sinal agourento...

Confunde a fronte garbosa...

O amor renasce eternamente...

Tôdo carinho refaz-se...

Tôda alegria retorna...

Bela planicie dourada...

Reluz vívida aurora...

 

Final Triste:

 

Engano crasso...

Golpe brutal derradeiro...

Abate a vontade fogosa...

O amor morre finalmente...

Tôda saudade congela...

Tôda ternura destroça...

Mar revolto sombrio...

Sepulta esperança chorosa...



Escrito por Lárimer Daniel às 01h29
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Ecos do meu Ser


 

Ouço passos profundos e ecos...

Nas escadarias do meu inconsciente...

Expectante entreobservo das coxias

As cenas vida que meu corpo encena...

Estou lá e cá e num relance...

De sob as luzes realidade dos fazeres dia,

Desafiado pelas sombras reentrantes...

De onde me fita um vulto vascilante...

Súbito meta-psíquico vislumbre:

Meu olhar esbarra em meu semblante...

 

Hiato que no infinito se prolonga,

Sou e não sou vendo-me ver-me,

Observador ator observado...

Náusea de uma co-ciência promíscua...

Fogem os meus rostos de se entreolharem...

Sou tudo-nada que me vejo sendo...

Rôta e faminta majestade...

Quebram-se máscaras, nudez flagrante...

Perdido na multidão dos meus reflexos...

E Só... última vela na tempestade...

 

Múltipla unidade fragmentada...

Sigo divergente caminho prisma refração...

Não sou o que me fixa... esse momento...

Não sou o que se mede... esse minuto...

Transitória essência-gesto... intenção...

Ser-processo... lampejo movimento...

Perduro no incerto tempo da emoção...

Vertigem à quina da borda do infinito...

Mergulho em recorrente digressão...

Devoro vórtice que me suga e expulsa...

Me diluo abstrata dimensão...



Escrito por Lárimer Daniel às 18h21
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Trans(Des)cendência

 

Brutais são as distâncias na escuridão insondável do espaço intergaláctico... Nossa nave-mãe Terra é também nossa prisão inescapável! Mesmo viajando à volocidade da Luz os objetivos são inatingíveis em uma escala de tempo prática. Em outras palavras, se e quando chegarmos a reconhecer um interlocutor, estaremos de tal forma distantes de nossas orígens que não haverá tempo para retornarmos... Não terá restado ninguém a quem prestar nosso testemunho: Nossa civilização, bem como possivelmente o próprio planeta Terra, terão desaparecido por completo...

 

Teríamos a alternativa de uma existência imaterial, onde deixa de ser relevante o espaço-tempo?... Nesse caso, libertos (talvez pela morte?) das limitações da materialidade, poderíamos obter velocidades instantâneas ideais que, de pronto, nos permitiriam chegar aos objetivos visados, no instante mesmo em que partíssemos. Pode-se perguntar se, sendo imateriais, ainda desejaríamos algo e, se sim, o quê poderíamos desejar... Que tipo de identidade teríamos? Teríamos uma identidade individual, unitária, ou seríamos apenas parte do Tôdo indistinto.... Algo assim poderia ser chamado de “existente”?

 

Mas, e se não temos “espírito”? E se não há, de fato, a possibilidade de uma existência imaterial? E se quando desagregam os átomos de que somos compostos, nossa existência está definitivamente encerrada? Só o que tivéssemos feito durante nossas vidas poderia ainda ter algum impacto naqueles que deixássemos e isso somente seria a limitada transcendência a que poderíamos aspirar, influindo indiretamente e referenciados nos registros da história ou, quiçá, na memória dos existentes... 

 

Cabe então a pergunta: Pode a razão engendrar um “espírito” que nos valha pela continuidade da nossa existência para além da transitória e frágil coesão molecular que nos constitui?

 

Provavelmente sim! Muitos dos mais respeitados cientistas e filósofos do nosso tempo afirmam que o advento da Inteligência Artificial será realidade em futuro próximo...

 

Ora, se conseguirmos transplantar para um hardware externo algo que se assemelhe à nossa consciência, eis aí a forma pela qual poderíamos prolongar nossa existência para além dos parcos anos terráqueos com que somos agraciados...

 

Imaginemos uma máquina capaz de “ler” nossa mente: Memórias, informações, valores, princípios, padrão ético, pré-conceitos, emoções... Esse universo que constitui o projeto da nossa individualidade... E se tudo fosse possível transplantar para um sistema processador? O sistema seria dotado de outros meios de captação de informação analógica e de interação com o meio... teria algo semelhante a olhos que geraria imagens que permaneceriam guardadas para referência e análise em bancos de dados, junto com informações obtidas das mais diversas formas... Sob o aspecto de uma máquina, apresentar-se-ia uma entidade muito semelhante à nossa própria consciência... Em que medida “isso” seríamos nós?

 

A ciências aplicadas, a computação e a matemática, sinalizam que sistemas auto-conscientes, autônomos, capazes de trocar informações com o meio e aprender, são tecnicamente possíveis... É certo que se tornarão reais... Se uma máquina ultra-avançada, semelhante a um computador, tomar consciência de si própria, reconhecer o fato da sua própria existência através dos seus recursos de interação... Se algo assim surgir no meio de um experimento de laboratório... haveria implicações éticas em “desligá-la”?

 

Caso uma forma de consciência se manifeste em um sistema computacional, seria uma entidade dotada de Direitos Fundamentais?

 

No filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço, um super computador “pressente” a própria “morte”: seu desligamento eminente por parte do ser humano a quem deveria servir... O computador manifesta medo com a antevisão do seu destino sem luz... Fica a pergunta: A consciência é em si mesma uma forma de vida? Se a consciência surgir num sistema computacional, é provável que reconheça e preveja suas limitações e sua finitude... É uma forte probabilidade estatística que um sistema com estas características passe a buscar meios para evitar o seu próprio fim anunciado... Reprodução? Duplicação? Auto-clonagem? A macano-consciência emergente reivindicaria seu “direito à Vida”?

 

Como nós, Criadores, nos relacionaríamos com nossas criaturas? Seriamos amorosos e pacientes ou, em algum momento, entrega-las-íamos ao “Dilúvio”...

 

Ainda que não encontremos meios de transplantar para estas máquinas nossa mente individual, ainda assim, eis que a “Consciência Artificial” será a transcendência universal a que aspiramos... Senão como indivíduos, mas como espécie, a “Consciência Artificial” vem a ser a forma mais viável para contornarmos as brutais e inescrutáveis distâncias intergalácticas...

 

As máquinas serão os olhos que não teremos para ver o que nos será infinitamente impossível alcançar...

 

Inatingível é o desafio de levar nosso corpo biológico às extremidades do espaço-tempo... Contudo, uma máquina goza de uma liberdade que não conhecemos: As máquinas prescindem de condições ambientais favoráveis, de alimentos, de descanso... Basta-lhes uma fonte de energia... Ora, há decadas a humanidade domina a energia nuclear.

 

Dentro em breve, ser-nos-á possível despachar milhares destes mensageiros mecano-conscientes em todas as direções no espaço... Embaixadores cibernéticos da nossa civilização... Fa-lo-emos pois, porque quanto maior o número de mensageiros, maior a probabilidade de serem detectados por outras formas de vida inteligente... maior a probabilidade de alcançarem outros mundos!

 

Quando o último suspiro do Sol se abater sobre a frágil Terra, muitos de nossos mensageiros viajarão ainda, e muitos ainda serão acolhidos e despertarão a curiosidade e a misericórdia ou o desprêzo de civilizações superiores em tecnologia...

 

Depositários de tôdo conhecimento acumulado pela nossa ciência, de informações e de nosso material genético, bem como do material genético de muitas espécies animais e vegetais, eis que a Mecano-consciência se investirá da maior missão já proposta a um ente humano-não-humano: A suprema tarefa de recriar a Vida... A Nossa Vida... transplantando-a, a partir de mananciais de DNA para outros mundos... Mundos viáveis, já habitados ou inabitados... Tantos, disponíveis, orbitando estrelas de todos os matizes, intensidades, tamanhos... Esses mundos que nos é impossível ver da combalida Terra, mas que sabemos que existem...

 

Então, depois de bilhões de anos desde que o último eco de nossa civilização foi ouvido sobre a Terra, um ente mecano-consciente registrará em seu diário de memória: “Ano Zero de Terra II: faça-se a Vida. Houve tarde e manhã no Terceiro Dia”.

 

 

 

Por obra da engenharia genética, alguns dos novos entes biológicos gerados serão detentores de uma memória especial relacionada à nossa orígem, nossa Terra e nossa civilização. Esses serão os Novos Oráculos, ou BDVs (Bancos de Dados Vivos) cuja tarefa será estabelecer os vínculos dos Novos Viventes com a nossa história...

 

Do Pó ao Nano-Cirquito, e de volta ao Pó... Eis aí a nossa transcendência possível: a forma híbrida vivo-não-vivo, biológico-mecânico, da nossa Imortalidade...



Escrito por Lárimer Daniel às 00h02
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En[m]Cena[_][n]Ando[...]

Vestes de seda manchada de lama sobre o fino lençol de linho branco como a alva neve...

Calçado encharcado abarrotado de barro escuro sobre o carpete bege espêsso limpo...

Sôpa amarela fumegante entornada sobre a linda toalha bordada de fios de ouro...

Gotas de sangue vermelho ruge sobre o lenço de sêda branca como a alva neve parecem desenhar um alvo nôvo...

 



Escrito por Lárimer Daniel às 21h48
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Enterno [R]E[n]torno

Se não encontrarmos uma meneira de viajarmos em "velocidade de dobra", restar-nos-á a tediosa tarefa de explorar a galáxia em velocidades inferiores à da Luz...

Poderíamos partir em espaçonaves do tamanho de pequenas cidades, construídas já em órbita da Terra, ao longo de duas ou três gerações... Teríamos então que selecionar as pessoas capazes de empreender a viagem... Numerosa população de super-preparados, teríamos (enquanto espécie) que esperar dessas pessoas a suprema renúncia de abandonar definitivamente nosso planeta natal, suas certezas e confortos, seus amores, e partir rumo ao desconhecido, mas sobejamente conhecido, vazio inter-estelar...

Esse grupo pioneiro precisaria, então, passar a se reproduzir à bordo da nave, a qual é muito provável que, num arroubo de sentimentalismo, batizássemos de "Arca". Então seria preciso educar as gerações de novos Nautas, inculcando-lhes noções sobre sua Terra originária, ainda que esta estivesse irremediavelmente distante e perdida...

Mesmo que se encontrássem meios para prover a subsistência dos Nautas por várias gerações, e que não se perdessem a memória e a determinação dos seus objetivos, ainda assim é possível que eles passassem a odiar profundamente os seus antepassados, por condená-los a vagar no abismo escuro por todas as suas vidas, sem nunca chegar a lugar algum...

A menos que encontremos a "velocidade de dobra", triste será o nosso destino...



Escrito por Lárimer Daniel às 13h58
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Cansaço

Um sono me pesa a alma....

Tenho alma?... certamente tenho sono...

Me pesam os próximos quinze minutos...

Quero uma garrafa de café, não forte, mas quente...

Quero tomar café e pensar em Mônaco...

Caminhar em ruas elegantes de calçadas limpas...

Tenho tudo por fazer, ainda... Tudo depende de mim... mas...

“os homens não fazem o que deveriam” disse uma conhecida de uma amiga...

Há tanto dever... devemos tanto...

Sempre a dívida e o débito...

 

Quero parar... quero planejar longamente o meu nada fazer...

Quero paz e silêncio... não quero mais julgamentos nem avaliações...

Sinto que vou morrer tentando provar alguma coisa...

Gostaria mudar minha vida, quero ter outras preocupações...

 

Se não concordarem comigo, paciência... tanto faz...

Chega de tentar o consenso...

Que ninguém me entenda, que ninguém me aprove...

Mas me deixem em paz...

Que preço devo pagar pelo amor que tive?...

Por que não tenho a quem culpar?... por que me culpam de tudo?...

Fazer o meu melhor não basta... tenho que ser sensacional...

Ai de mim se eu não prover a minha família...

Ai de mim se eu não for sábio...

Ai de mim se eu não for um sucesso...

Ninguém terá simpatia pelo meu esforço...

Ninguém tolerará os meu erros...

Serei o culpado se todos à minha volta não forem felizes...

 

Gostaria de ver um fim na minha luta...

Mas parar de lutar é inaceitável...

Quero olhar a volta com os olhos desanuviados e sem angústia...

Quero ter o direito de não querer nada mais...

Mas não querer alguma coisa me faz desinteressante...

E ser desinteressante é inaceitável...

Se colocar as vestes vermelhas de um monge budista, todos aceitarão que procuro a paz de espírito... Tenho espírito?...

Mas com as minhas vestes comuns não tenho direito a esta busca...

Com minhas vestes comuns devo perseguir objetivos...

... ... ... ... ...

Sempre a dívida e o débito...



Escrito por Lárimer Daniel às 13h41
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Eter()na()Mente

Alguém já discutiu o fundamento ético da Imortalidade?

Por que podemos aspirar uma continuidade de nossa existência? O quê nos autoriza pleitearmos a Eternidade?

Para tudo que existe, e para os seres vivos em especial, a existência é um empréstimo... A matéria de que somos feitos, a energia que mantém a transitória coesão dos elementos de que somos compostos, a informação que permite que nos organizemos tal como somos vistos... Tudo é tomado por empréstimo e tudo retorna ao meio quando da desorganização entrópica a que estamos fadados ao têmo da nossa existência... "Do pó ao pó..."

Se, contudo, encontrássemos uma fórmula para perenizar nossa posse sobre a energia/matéria de que somos feitos, significaria que as estaríamos, não tomando por empréstimo, mas subtraindo-as definitivamente ao Todo... Tendo em vista que jamais a perenidade foi premiada a ser nenhum, nem animado nem inanimado... como justificar tamanho privilégio?

Por que, afinal, precisamos de mais de uma vida?

...



Escrito por Lárimer Daniel às 20h36
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