Porque passam horas e ventos

Porque passam horas e ventos... Os veleiros brancos da juventude... A graciosa tormenta que te espera... Vejo-te agora, tantas mil milhas depois... De onde o raio e o trovão Faiscavam sonhos... E o amanhã... uma brutal sedução... Tudo que parecia redemoinho Tudo que à vertigem ascendia... Toda alegria do movimento Toda delícia da incerteza... Transmuda-se na letal calmaria... Incontáveis retornos... Incontáveis esperas... Os pensamentos em lugar da vida... Universo paralelo a um milissegundo da existência... Tantas vezes visto passar o veleiro, Tantas vezes indagado o rumo Tantas vezes perseguido o prumo Tantas fugas do estaleiro... Porque passam horas e ventos... Porque choram vozes e tempos... Os veleiros rotos da incompletude... Ao ocaso à majestade, De gloriosas milhas singradura... Deixam-se dos portos a procura... Ancoram-se nas pedras da saudade...
Escrito por Lárimer Daniel às 00h29
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